Visualização da Noticia

DF recebe 30 mil doses extras de vacina contra febre amarela

Ministério da Saúde repassou 60 mil vacinas extras neste mês. Secretaria de Saúde diz que todos os postos serão abastecidos.


Vacinas contra Febre Amarela já estão disponíveis nos postos de saúde do DF (Foto: Divulgação/SMS Goiânia)Vacinas contra Febre Amarela já estão disponíveis nos postos de saúde do DF (Foto: Divulgação/SMS Goiânia)

Vacinas contra Febre Amarela já estão disponíveis nos postos de saúde do DF (Foto: Divulgação/SMS Goiânia)

O Distrito Federal recebeu 30 mil doses extras de vacina contra a febre amarela nesta terça-feira (31). Com esse repasse, o DF totalizou o recebimento de 80 mil doses extras em janeiro – 60 mil a mais do que a quantidade mensal até então.

O Ministério da Saúde afirma que a medida é uma forma de ação para combater o surto da doença, que atacou alguns estados brasileiros.

De acordo com a Secretaria de Saúde todos os postos de saúde serão abastecidos com as vacinas e mais de 33 mil doses já foram aplicadas até 27 de janeiro.

O subsecretário de Vigilância à Saúde, Tiago Coelho, disse à Agência Brasília que a solicitação de vacinas extras foi feita para manter o estoque abastecido.

“Solicitamos esse reforço ao Ministério da Saúde porque a procura pela imunização aumentou bastante. Estamos nos antecipando para que não falte”, afirmou Coelho.

Entenda a diferença entre febre amarela selvagem e urbana, e saiba quem precisa se vacinar

Estatísticas

O Ministério da Saúde divulgou na quarta-feira (1º) um balanço da febre amarela no país no mês de janeiro. De acordo com o Ministério foram registrados 857 casos suspeitos, mas apenas 149 foram confirmados até o momento. Outros 667 ainda estão em investigação.

Esses números são maiores do que todos os casos de febre amarela em humanos registrados no Brasil em 2 anos e meio, de julho de 2014 à dezembro de 2016. Nesse período, 784 casos foram notificados e apenas 15 confirmados como o da doença.

No DF, em 2017, não foram registrados casos da febre amarela, mas um homem que vinha de Minas Gerais morreu na UPA de São Sebastião, vítima da doença.

A doença

O mosquito Haemagogus leucocelaneaus, exclusivo de matas e ambientes silvestres, é vetor de febre amarela silvestre (Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz )O mosquito Haemagogus leucocelaneaus, exclusivo de matas e ambientes silvestres, é vetor de febre amarela silvestre (Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz )

O mosquito Haemagogus leucocelaneaus, exclusivo de matas e ambientes silvestres, é vetor de febre amarela silvestre (Foto: Josué Damacena/IOC/Fiocruz )

A febre amarela é transmitida pela picada de mosquitos silvestres como o Haemagogus leucocelaneaus e também pelo Aedes aegypti - que transmite dengue e febre chikungunya. O período de incubação do vírus varia de três a seis dias.

Os sintomas se parecem com os de uma gripe. Além de febre, há amarelão na pele e nos olhos, dores de cabeça e no corpo e calafrios. O vírus pode ainda atacar fígado e rins, provocando crise de vômito e diarreia. Em estágio grave, o paciente pode deixar de urinar e apresentar sangramentos e confusão mental.

Quem apresenta os sintomas deve procurar um médico e relatar se viajou nos 15 dias anteriores para áreas de mata ou próximas a rios. O indicado é permanecer em repouso e fazer reposição de líquido.

Entenda a vacinação

Busca pela vacina aumentou desde o anúncio da morte de um homem pela doença, no DF (Foto: Divulgação/PMTR)Busca pela vacina aumentou desde o anúncio da morte de um homem pela doença, no DF (Foto: Divulgação/PMTR)

Busca pela vacina aumentou desde o anúncio da morte de um homem pela doença, no DF (Foto: Divulgação/PMTR)

Há décadas, o Distrito Federal aparece como "área de risco" para febre amarela nos protocolos do Ministério da Saúde. Isso significa que, se a caderneta infantil foi seguida à risca, todas as crianças nascidas no DF foram vacinadas até os 9 meses de idade, com uma dose de reforço por volta dos 5 anos. Se isso foi feito, não há risco de pegar febre amarela.

Para quem nasceu nos oito estados fora da área de risco – Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Espírito Santo e Rio de Janeiro – ou não foi vacinado por algum motivo, é preciso tomar duas doses em um intervalo máximo de 10 anos.

Segundo Coelho, a Organização Mundial de Saúde (OMS) prevê que uma única dose da vacina já seria suficiente para produzir anticorpos e evitar o contário. "No Brasil, devido ao histórico, o Ministério da Saúde acaba pedindo esse reforço com duas doses", explica. O país produz vacinas suficientes para consumo próprio e exportação.

"Já tivemos casos de pessoas procurando postos de saúde em pequenos intervalos de tempo, para tomar mais de duas doses. Isso, sim, se classifica como risco. Pode haver um efeito adverso".

A vacina é feita com o vírus vivo e atenuado. Por isso, existe uma chance pequena (de 1 em 400 mil) de que a aplicação da substância acabe causando efeito reverso, desencadeando um quadro de febre amarela no paciente. Se algum sintoma atípico for notado após a injeção, é importante avisar a um médico.

Segundo o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis do ministério, Eduardo Hage, a chamada "febre amarela vacinal" é raríssima, mas pode acontecer quando o paciente tem alguma contraindicação para tomar a vacina. A aplicação é contraindicada para gestantes, recém-nascidos, pessoas doentes ou com baixa imunidade, por exemplo.