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ESPAÇO SUSTENTÁVEL 100 DIMENSÃO

ESPAÇO SUSTENTÁVEL 100D HORTA CIDADÃ ESPAÇO PEDAGÓGICO PARA CAPACITAÇÃO E MELHORIA DA SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL DE COMUNIDADES DO DF E ENTORNO OFICINAS COMUNITÁRIAS DE PRODUÇÃO AUDIOVISUAL DA MEMÓRIA ALIMENTAR DOS POVOS DO CERRADO 2. – CONTEXTUALIZAÇÃO E JUSTIFICATIVA DA PROPOSTA Os dramas da fome e da desnutrição, de ampla recorrência histórica, constituem problemas crônicos de insegurança alimentar enfrentados pela população, fortemente associados à pobreza e a desigualdade distributiva estrutural de nossa sociedade. Ademais, o desenvolvimento científico e tecnológico, permanentemente incorporado à estrutura de produção e consumo de alimentos, adiciona a cada dia novos riscos e “incertezas” a esses velhos problemas, tais como as preocupações com a qualidade sanitária e nutricional dos alimentos e as relacionadas com a conservação e controle dos recursos fitogenéticos. Nas últimas décadas, a segurança alimentar vem se constituindo em um tema recorrente no Brasil, provocando amplo debate, público e governamental, sobre os objetivos e critérios para o planejamento e construção das políticas públicas. Transformações econômicas, sociais e demográficas atingiram nossa sociedade nas últimas décadas e modificaram o perfil nutricional e educacional da população. A desnutrição, principalmente quando acomete os indivíduos mais jovens, continua despertando a preocupação de autoridades sanitárias e pesquisadores da área da saúde infantil. A infância e adolescência são etapas importantes do desenvolvimento, acompanhadas de processos de crescimento e de maturação tanto do ponto de vista somático quanto psicológico. Trata-se de períodos de elevada demanda nutricional e, por esse motivo, a nutrição desempenha um papel importante pelo fato de que a adoção da dieta inadequada pode influenciar de forma desfavorável o crescimento somático. No entanto, o acervo de pesquisas, análise e intervenções sobre crianças e adolescentes em idade escolar ainda é escasso e refere-se, sobretudo, às experiências juvenis dos grandes centros urbanos. A escola tem sido, desde as épocas mais remotas, um espaço propício e privilegiado para o desenvolvimento de programas de intervenção junto à população, sua abrangência não se restringindo ao ensino, mas incluindo também, nas ações de promoção da saúde, as relações lar- escola-comunidade, a prestação de serviços, como o da alimentação escolar e a promoção do ambiente escolar saudável (físico e emocional). O ambiente de ensino, ao articular de forma dinâmica alunos, familiares, professores e funcionários, proporciona condições para desenvolver atividades que reforçam a capacidade da escola de se transformar em um local favorável à convivência saudável, ao desenvolvimento psico-afetivo, ao aprendizado e ao trabalho de todos os envolvidos nesse processo podendo, como conseqüência, constituir-se em um núcleo de promoção de saúde local (COSTA, RIBEIRO; RIBEIRO, 2001). Sendo um local onde o alunado passa, em média, 4/horas/dia, participando de atividades educativas e formadoras, as escolas são espaços primordiais para se oportunizar a discussão e para se realizar ações propositivas voltadas à segurança alimentar e nutricional da população. Assim, espaço melhor que a escola não haveria para a consecução, discussão e afirmação do direito universal à alimentação, em quantidade e qualidade, contribuindo, conseqüentemente, para a transformação dos alunos em agentes disseminadores desse direito. A presente proposta tem como objetivo promover ações de pesquisa e desenvolvimento voltadas à melhoria da segurança alimentar e nutricional de crianças e adolescentes em idade escolar residentes em comunidades carentes do Distrito Federal e Entorno, utilizando a tecnologia do registro audiovisual para traçar o perfil alimentar das comunidades que serão atendidas pelo projeto e realizando o diagnóstico que orientará o desdobramento das atividades de implantação das hortas, simultaneamente a produção dos conteúdos instrucionais. Inicialmente serão averiguadas as práticas alimentares desse público e, posteriormente, em função do diagnóstico obtido nesta abordagem, serão desenvolvidas ações para a conscientização em torno do tema segurança alimentar e para a disseminação de boas práticas alimentares e nutricionais. Além disso, aos jovens será oportunizado a apropriação de conhecimento científico e tecnológico, principalmente na capacitação em produção audiovisual, auxiliando-os para uma qualificação profissional direcionada ao mercado de trabalho. Trabalhar-se-á em escolas públicas, instalando hortas que servirão como lócus para a obtenção de alimentos produzidos organicamente, aumentando assim a disponibilidade de alguns alimentos que têm restrição de consumo em função da renda; além de se utilizar esse mesmo espaço como elemento facilitador de ações educativas e profissionalizantes, principalmente como locações cenográficas para a produção dos conteúdos gerados em Oficinas Comunitárias de Produção Audiovisual. O trabalho terá como foco a disseminação de boas práticas alimentares promotoras da saúde, que sejam econômica e ambientalmente sustentáveis, abordando o tema de forma transversal e prática, permitindo a geração de renda, a inclusão social e o exercício da ação cidadã. A proposta é trabalhar com as escolas da rede pública de educação, criando hortas escolares e sensibilizando crianças, adolescentes, professores e funcionários, para conscientizar sobre hábitos alimentares saudáveis e a preservação ambiental das comunidades escolares O projeto terá uma abordagem interdisciplinar, abrangendo desde a preparação do solo, o cultivo, o respeito ao meio ambiente e a cultura alimentar local até o preparo e consumo consciente de alimentos saudáveis. Todas as disciplinas estarão contempladas no aprendizado das hortas escolares. A partir de uma aula de ciências sobre alimentação, possibilita-se a leitura de textos sobre o tema, a escrita, a discussão do alimento como remédio natural, a introdução de conceitos de ecologia, sobrevivência, tecnologia de alimentos e do plantar, e assim por diante. As abordagens audiovisuais realizadas pelas turmas sobre o processo de plantio, manejo e manutenção da horta serão o principal motivador do público alvo para o envolvimento no empreendimento comunitário, fundamentado na busca de informações em bibliografia de referência impressa e virtual, vivência por oficinas teatrais, que se utilizará como instrumento na fase de pesquisa e produção de documentários e vídeos instrucionais. O Distrito Federal, segundo dados do IBGE de 2007, tem uma população estimada em 3 milhões de habitantes, distribuídos por 29 regiões administrativas. Considerando que as maiores concentrações populacionais e/ou de baixa renda e em situação de insegurança alimentar encontram-se na Ceilândia, Santa Maria, Samambaia, Planaltina, Varjão, Estrutural e São Sebastião e, na região do Entorno, dentro dos mesmos critérios anteriores, estão as cidades de Águas Lindas de Goiás, Cidade Ocidental, Novo Gama e Planaltina de Goiás, esses serão os locais objetos da intervenção apresentada por essa proposta. Os resultados obtidos permitirão um mapeamento e diagnóstico da situação de insegurança alimentar dos grupos populacionais destacados. Estas regiões administrativas e cidades vivenciam um crescimento urbano desordenado e rápido, com conseqüências negativas em termos de violência, insegurança, atendimento inadequado à saúde e à educação e falta de saneamento básico. Ações educativas e preventivas tendem a consolidar hábitos saudáveis capazes de delinear um novo contexto social. A aprovação da Lei de Segurança Alimentar – LOSAN/2006 induziu a uma mobilização sobre o assunto, pois, no contexto de cidadania, todos têm direito a uma alimentação adequada, a uma educação nutricional que o introduza em práticas positivas, desenvolvendo conhecimentos indispensáveis para uma vida saudável. O IBGE, na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD, no quesito índice de Indicadores Sociais, divulgado em 2007, revela que metade das famílias brasileiras vive com menos de R$ 350,00 (trezentos e cinqüenta reais) por mês. E os 40% mais pobres vivem com um valor médio de R$ 147,00/ mês. As famílias monoparentais, em especial, as femininas (que, em 2006, correspondiam à cerca de 10,7 milhões) são particularmente vulneráveis visto que 47% vivem com até ¾ de salário mínimo per capita. Esta situação econômica precária se agrava entre aquelas em que todos os filhos têm idade inferior a 16 anos, das quais 60% viviam, em 2006, com até ¾ de salário mínimo per capita. Vivem com uma media de ½ salário mínimo arranjos familiares onde existam laços de consangüinidade, laços de dependência econômica e/ou residência em um mesmo domicílio de grupos distintos de até 5 pessoas, ainda que sem vínculos de parentesco. Esta situação de pobreza encerra sérias conseqüências. Segundo informações da Secretaria de Saúde do DF, estima-se, de acordo com levantamento realizado em 2007, que no Brasil já existiam 6,7 milhões de obesos entre os jovens de 06 a 18 anos. Dentre os diversos distúrbios alimentares, destaca-se a obesidade nas classes menos favorecidas que, por falta de condições e conhecimentos sobre uma alimentação saudável e nutritiva, apresentam deficiência alimentar e subnutrição. O maior índice de sobrepeso e obesidade está concentrado entre as mulheres mais pobres em que o fator padrão alimentar é o gerador. Parece um paradoxo, mas se explica pelo fato de que uma alimentação altamente energética e rica em carboidratos tende a ser mais barata. Existe uma adaptação do organismo a este tipo de hábito alimentar que sana a fome, mas não nutre o organismo, resultando no subnutrido. O metabolismo habitua-se a gastar energia só para o funcionamento do corpo, gerando na infância e na fase adulta o desnutrido obeso. Este terá um organismo carente de proteínas, vitaminas e sais minerais. Tratar a questão é urgente e exige medidas eficazes, efetivas e abrangentes. Programas como o Fome Zero do Governo Federal, pesquisas acadêmicas, debates intensos sobre o tema na sociedade são indicadores de uma grande mobilização em torno do assunto. As conseqüências indesejáveis que a fome e a ingestão inadequada de alimentos podem trazer a curto, médio e longo prazo para a saúde e bem estar da população, sobretudo aos mais jovens, evidencia a premência de se tratar o problema. É com base neste pressuposto que surge o Projeto Horta Cidadã: espaço pedagógico para capacitação de estudantes e melhoria da segurança alimentar e nutricional nas escolas do DF e Entorno. Os pressupostos metodológicos na implantação do Projeto das Hortas Escolares baseiam-se na abordagem de Delors destacados no Relatório sobre a Educação do Século XXI, feito para a Comissão Internacional pela Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura – UNESCO. Este relatório apresenta uma proposta para a educação na modernidade e está direcionada para quatro tipos fundamentais de ações metodológicas de aprendizagem: aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver com os outros e aprender a ser. Inicialmente o aprender a conhecer debruça-se sobre o raciocínio lógico, a compreensão, a dedução, a memória, processos essencialmente cognitivos. Em despertar no aluno a sede do saber, a pesquisa, a busca do conhecimento. O aprender a fazer está baseado no conhecer teórico anterior e consiste essencialmente no aplicar, na prática, a teoria. No aprender a conviver com o outro estariam os conflitos que surgem das diferenças individuais, no modo de ser de cada um e envolve, por conseguinte, atitudes e valores. Implica na descoberta paulatina do outro, na aceitação da diversidade e na efetiva participação em projetos comuns. O aprender a ser seria uma conseqüência natural dos demais fatores, pois a educação visa o desenvolvimento global do indivíduo. De sua sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, pensamento moral e ético. Neste caso, os valores e atitudes são também um significativo componente, mas não direcionado à vida em sociedade diretamente e sim ao desenvolvimento individual que se refletirá na sua vida de interação com os demais. Visa à constituição de um indivíduo autônomo, intelectualmente ativo e independente, capacitado para a vida de relação, para se comunicar e evoluir permanentemente, intervindo de forma consciente e proativa na sociedade. Através desta ação, estaria sendo trabalhada a geração de renda e a inclusão social a partir de investimento pessoal em ações que lhes permitirão ter uma vida com dignidade. Este projeto, com duração de dezoito meses, constitui a primeira fase de um trabalho maior a ser desenvolvido pela extensão das hortas escolares até as hortas familiares e as de subsistência, às hortas comunitárias, às hortas em praças e jardins, que podem aliar-se em cooperativas que garantirão o resgate nutricional, a geração de renda pela venda dos excedentes de produção por parte das famílias assistidas, gerando um efeito multiplicador nas comunidades. No desdobramento estratégico do projeto, em futuras etapas, pretende-se criar um Centro de Referência Alimentar e Nutricional, com Cozinha Experimental; e fomentar a instalação de cooperativas de produção e venda de hortifrutigranjeiros, disseminando o “como fazer” obtido pela experiência de execução do projeto, em conteúdos formatados pela linguagem audiovisual nos mais diversos suportes de mídia. 3. – PÚBLICO-ALVO O público-alvo é constituído por crianças, adolescentes, jovens e adultos das comunidades relacionadas. Como beneficiários diretos, os participantes serão capacitados para desenvolver as atividades da horta, tornando-se habilitados quanto às técnicas de produção agroecológica de hortaliças, apropriando conhecimentos e tecnologias para o desenvolvimento de atividades ligadas a essa atividade. Simultaneamente, serão também capacitados para o registro, edição e distribuição em produção audiovisual do processo gerado. Como beneficiários indiretos, os familiares e pessoas do círculo de convivência dos participantes, além de outros grupos comunitários interessados na implantação do projeto em suas localidades. Os conceitos e uma nova cultura sobre formas de alimentação mais adequadas chegarão ao conhecimento desse público, por meio de várias atividades para as quais será convidado a participar e pela distribuição do conteúdo dos vídeos instrucionais e reportagens de divulgação produzidos nas Oficinas Comunitárias de Produção Audiovisual. 4. – OBJETIVOS Objetivo Geral Desenvolver atividades de implantação e acompanhamento de hortas escolares e comunitárias, capacitando simultaneamente os agentes participantes para o registro, edição e distribuição do conteúdo gerado em oficinas comunitárias de produção audiovisual, com abordagens de temas relacionados à memória alimentar dos povos do cerrado, no contexto da realidade social, cultural e ambiental de comunidades do Distrito Federal e Entorno, localizadas em áreas de alto risco em termos de segurança alimentar e nutricional, promovendo também a capacitação profissional desse público por meio de processo de ensino aprendizagem apoiado na utilização de suportes tecnológicos de produção audiovisual. O trabalho terá como foco a disseminação de boas práticas alimentares promotoras da saúde, que sejam econômica e ambientalmente sustentáveis, abordando o tema de forma transversal e prática, permitindo a geração de renda, a inclusão social e o exercício da ação cidadã. Objetivos Específicos • Identificar e treinar potencialidades individuais e coletivas para a prática da linguagem audiovisual e o desenvolvimento dos temas referentes à implantação e acompanhamento das hortas escolares pelas diversas fases de uma produção em vídeo. • Obter o perfil nutricional do público-alvo a partir das técnicas de abordagem das Oficinas Comunitárias de Produção Audiovisual; • Promover práticas alimentares saudáveis, resgatando, valorizando e incrementando a cultura alimentar local; • Promover ações educativas de qualificação que propiciem possibilidades futuras de inserção no mercado de trabalho; • Implementar ações de sensibilização e capacitação de estudantes e professores numa perspectiva transversal e cidadã, integrando o conceito de segurança alimentar e nutricional às diferentes dimensões da saúde física, mental, emocional e social do ser humano; • Produzir recursos pedagógicos de apoio que favoreçam e consolidem as ações práticas; • Promover a sustentabilidade das hortas do ponto de vista técnico, administrativo, social e cultural; • Fomentar a organização coletiva e a responsabilidade social com a segurança alimentar estimulando os participantes para o trabalho solidário, interativo e de troca de experiências. • Valorização da cultura alimentar local com o plantio de hortaliças características da região, além das demais comumente conhecidas; • Criar um espaço exclusivo para plantas medicinais e, em particular, para as oriundas do cerrado; • Promover a ecologização do ambiente escolar ou qualquer outro no qual o projeto esteja instalado, dando privilégio para a flora do cerrado. • Criação de um espaço formativo voltado para o conhecimento da flora da região Cerrado; • Criação de grupos de valorização da medicina natural com a utilização dos produtos das próprias hortas; • Promover seminários relativos à importância da medicina natural, a contribuição das plantas nativas como memória e em vista de novas descobertas e, em tal perspectiva, a importância da conservação do meio ambiente; • Promover concursos de novas receitas a partir da utilização dos produtos nativos. • Desenvolver processos de abordagem comunitária favoráveis à reflexão, propondo maior observância da compaixão, do cuidado e da boa convivência entres os seres humanos e com os demais elementos da natureza. • Realizar o programa de TV “Rede Comunitária”, com edição dos produtos gerados nas oficinas de produção audiovisual para veiculação pela TV Pública e Canais Comunitários. 5. – METAS DO PROJETO 1. Obter perfil nutricional do público-alvo a partir da abordagem das Oficinas Comunitárias de Produção Audiovisual; 2. Realizar 60 oficinas de sensibilização para implantação do projeto; 3. Capacitação de 30 pessoas que serão responsáveis pelas hortas; 4. Construção de 30 minhocários nas escolas; 5. Implantação de 30 hortas em escolas públicas do Distrito Federal e Entorno; 6. Promoção do enriquecimento da merenda escolar nas 30 escolas públicas do Distrito Federal e Entorno participantes do projeto; 7. Disseminação de conhecimento sobre segurança alimentar e nutricional e respeito e preservação do meio ambiente na comunidade escolar. 8. Produção de três Vídeos Instrucionais sobre: - Implantação de Hortas Escolares; Segurança Alimentar e Nutricional e Educação e Meio Ambiente, abordando o processo desde o diagnóstico do perfil alimentar das comunidades como autobiografia individual, memória de saberes e fazeres tradicionais, passando pela preparação do solo e plantio até a colheita e consumo pela comunidade. 9. Produção de reportagens para TV versando sobre Segurança Alimentar e produção de Hortas; 10. Distribuição dos vídeos instrucionais para a replicação do projeto em escala regional e nacional. 6 – METODOLOGIAS DE EXECUÇÃO A metodologia do projeto é ancorada na metodologia da Escola de Comunicação Comunitária com as Oficinas Comunitárias de Produção Audiovisual, que desenvolve o processo de ensino aprendizagem apoiado na utilização dos meios tecnológicos de produção videográfica, operando-se em um passo a passo fundamentado no modo de fazer concreto característico da linguagem audiovisual. As oficinas são planejadas e executadas a partir do fascínio que uma câmera desperta principalmente na clientela jovem, aproveitando-se de seu fenomenal cabedal de habilidades adquirido a partir de experiências com a linguagem audiovisual, principalmente com as cotidianas e intensas emissões televisivas. A introdução de uma câmera no contexto da sala de aula, apresentando as possibilidades de expressão pela linguagem audiovisual, provoca uma postura receptiva dos alunos e estabelece-se imediatamente um compromisso baseado no natural interesse despertado pela tecnologia utilizada. Operacionalizando-se como uma prática pedagógica que permite aos participantes deixarem de ser apenas consumidores para serem produtores/criadores de mensagens audiovisuais, as oficinas são desenvolvidas sobre temas pré-estabelecidos e conduzidos pelo professor/facilitador, que já no primeiro encontro propõe um círculo em que todos os participantes apresentam-se para a câmera que gira sobre o tripé no centro. Cada um diz seu nome, outras referências importantes de controle da turma e emenda com suas expectativas em relação à oficina. Imediatamente após a apresentação de todos, as imagens são exibidas na tela, provocando um segundo momento de contato com a tecnologia que permite a cada um e também a toda a turma iniciar a construção de sua “auto imagem” no processo da oficina. Iniciada a vivência com a linguagem audiovisual, parte-se para a escolha do gênero de abordagem do tema proposto no âmbito do projeto de implantação e acompanhamento das hortas (que também pode ser redefinido a partir de uma eleição do grupo ou da unidade/escola). Documentário, ficção e vídeo clip, são modelos facilmente identificados pelos alunos a partir de suas experiências no cotidiano midiático e são adotados segundo as preferências da maioria do grupo, discutidas democraticamente e mediadas pelo professor/facilitador. Uma vez instrumentalizados, os estudantes vão produzir as abordagens dos temas segundo os tópicos do conteúdo programático. Em um exemplo: na realização do vídeo pela turma, sobre os temas da implantação e acompanhamento das hortas escolares, seguindo a roteirização e seus desdobramentos com pesquisas e organização da produção, os alunos buscam referências junto aos mais vividos que guardam nuances da história da comunidade (memória alimentar), nunca registradas em documentos de qualquer suporte físico. Este contato e as informações, registros e novas elaborações dele decorrentes compõem um processo de ensino-aprendizagem fundamentado no modo de fazer concreto característico da linguagem audiovisual. Todo este procedimento valoriza habilidades e responsabilidades dos alunos e desperta o interesse para a busca de novos conhecimentos, proporcionando o envolvimento de setores da unidade/escola e da comunidade na realização de um produto que será debatido e compartilhado como parte de suas histórias pessoais e da coletividade. Ao ser exibido publicamente em sessões comunitárias e pela tv, o trabalho é a coroação do esforço conjunto de aprendizagem e de construção do bem comum. O desenho metodológico prevê alguns componentes considerados estratégicos para a execução do projeto, quais sejam: 1) Incentivo ao protagonismo das pessoas; 2) Participação do público-alvo em todas as etapas; 3) Utilização de tecnologias acessíveis, de efeito rápido e baixo custo; 4) Produção agroecológica dos alimentos; 5) Respeito aos hábitos e à cultura alimentar da comunidade; 6) Valorização das práticas saudáveis de alimentação. O projeto será desenvolvido por uma equipe interdisciplinar e multidisciplinar, em duas fases: a primeira, objeto desse financiamento, prevê a realização das oficinas que buscarão a sensibilização dos professores, diretores, merendeiras e alunos das escolas do DF e Entorno, possibilitando que conceitos fundamentais, tais como segurança alimentar e nutricional, educação ambiental, cidadania, responsabilidade social, entre outros, sejam efetivamente internalizados pelos participantes desse projeto, obtendo-se em registro audiovisual a memória e autobiografia alimentar dos grupos comunitários abordados. Após esse processo de embasamento conceitual, serão produzidos os materiais pedagógicos, que irão instrumentalizar as próximas ações. Os materiais serão utilizados nas palestras e oficinas sobre segurança alimentar e nutricional, e nas demais atividades de apropriação de conhecimentos. Serão produzidos com linguagem e conteúdo acessíveis aos diversos públicos participantes do projeto, dentro da metodologia da Escola de Comunicação Comunitária. Simultaneamente à produção dos materiais didáticos proporcionados pelas Oficinas Comunitárias de Produção Audiovisual, começarão a ser implantadas as hortas e os minhocários. Importante destacar que a instalação dos minhocários garantirá certa auto-suficiência no que tange ao abastecimento das hortas com insumos orgânicos, seja pela suas propriedades como melhorador do solo, seja por permitir o acesso à matéria orgânica na própria escola, garantindo, nesse aspecto, a sustentabilidade da produção. A condução, o manejo e a manutenção da horta serão feitos por uma pessoa específica, contratada na própria comunidade para tal fim. No entanto, há que se enfatizar que é nesse local que os alunos irão acompanhar e aprender não só o processo de produção de frutas e hortaliças, em uma espécie de reencontro com o meio rural, mas também aspectos de valorização e respeito ao meio ambiente e ao espaço geográfico. Cabe destacar, ainda, que a horta consistirá em um local de aprendizado prático de conceitos de diferentes disciplinas. Por exemplo, durante a construção dos canteiros, os alunos serão apresentados a conceitos matemáticos da geometria e trigonometria. Quando do plantio das hortaliças, noções de ciências e português. Os materiais colhidos na horta serão aproveitados para a melhoria da merenda escolar e, em caso de produção excedente, serão permutados com outras unidades participantes do projeto. Nessa etapa, merendeiras, professores e alunos participarão de diversificadas atividades promovidas por nutricionistas, pedagogas e estudantes da UnB sobre temas transversais, com produtos da horta. O gestor do projeto, em parceria com a sua equipe, além dos psicólogos, pedagogos e professores de artes cênicas e a comunidade, avaliará, periodicamente, os resultados materiais e imateriais do projeto, por meio de oficinas, questionários e registros a cada etapa de implementação e desenvolvimento, e por ocasião da conclusão da participação dos capacitadores nas escolas. Em uma segunda etapa do projeto, com os resultados e avanços obtidos quando da consecução da primeira etapa, trabalhar-se-á para a criação de um Centro de Referência em Segurança Alimentar e Nutricional no Distrito Federal e Entorno, devidamente equipado com uma cozinha experimental , acervo documental e conteúdo instrucional para distribuição.

COOPERATIVA 100 DIMENSÃO COLETA SELETIVA RECICLAGEM DE RESÍDUOS SÓLIDOS FORMAÇÃO EDUCAÇÃO AMBIENTAL

QN 18 CONJUNTO 09 LOTE 01

(61) 8268-6764

SÔNIA MARIA DA SILVA

Outras Informacões

Não

Riacho Fundo II

313

800

Cronograma:

1/9/2017 até 31/12/2017

Manhã: de 6h às 12h | Tarde: de 12h às 18h | Noite: de 18h às 00h

Dia Período
Domingo
Segunda
Terça
Quarta
Quinta
Sexta
Sábado

Período de Inscrição:

1/9/2017 até 31/12/2017

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